A morte do banqueiro Edmond Safra, ocorrida no final do ano passado (1999), trouxe-me recordações que remontam aos meus primeiros anos de mercado financeiro. Hoje, ao compartilhar essas lembranças com os leitores desta coluna, faço dela minha homenagem ao notável homem que se foi. A um trader inesquecível.
Em 1966 eu era estudante da New York University, cumprindo um curso especial de Mercado de Capitais, na Graduate School of Business Administration. Quase ao final do ano, o orientador de nossa turma determinou que cada estudante escolhesse uma instituição financeira e entrevistasse um dos seus principais executivos.
Para minha grande sorte, escolhi o Republic National Bank of New York, não por se tratar de uma instituição importante (o banco fora fundado naquele ano) mas porque o então Ministro do Planejamento, Roberto Campos, era amigo de Edmond Safra, proprietário do banco (um judeu sefardita que iniciara no Brasil sua trajetória de negócios bancários, em 1956). E eu tinha um bom contato com o ministro Campos, já que meu pai era secretário-geral de seu ministério.